sábado, 27 de setembro de 2008

o pombo

Quando abri a porta vi ele de relance e achei que fosse viagem, mas quando me virei vi que não era viagem coisa nenhuma, realmente havia um pombo em cima daquele carro, mas por incrível que pareça ele estava sentadão lá e já tinha cagado o carro todo e ficava em cima do carro paradão mesmo que agente chegasse bem perto, engraçado é que ele se sobressaltava sempre que um carro passava na frante dele, não fazia nada a não ser levantar um pouco e bater as asas como que em sinal de protesto. aquele pombo me encantou, seu comportamento realmente inesperado me deu uma tremenda curiosidade de saber sua história, porque ele ficava puto sempre que passava um carro na frente dele? porque ele stava em cima daquele carro? mesmo que chegássemos perto ele não se movia, e ele não tava com a asa quebrada nem nada era a opção dele mesmo, sendo que geralmente os pombos saem voados? Foi quando notei o porquê daquele comportamento, aquele pombo estava triste e desolado o carro onde ele estava empoleirado foi o mesmo carro que tirou a vida de sua companheira e os carros que passavam e o deixavam aos sobressaltos na realidade estavam passeando por cima do cadáver de sua amada e ele mantinha seus pequenos olhinhos de pombo no cádaver de sua esposa. Aposto que seu pequeno cérebro de pombo se perguntava porque esses rinocerontes de metal que dominam o mundo matam e não comem, matam pelo prazer de dilacerar a carne
e passar por cima, como que num tipo de esporte macabro e se divertiam passando por cima daquela que dava sentido à sua vida ( porque dizem os biólogos que os pombos só tem uma parceira durante a vida e mesmo que essa morra ele permanecem fiéis até o fim da vida, é como um casamento que nem a morte os separa ).

sábado, 20 de setembro de 2008

amídalas inflamadas

tenho as amídalas inflamadas e cuspo sangue para aliviar a dor
tenho o coração partido e por isso eu berro e grito
tenho medo do futuro porque só erramos em nossa história
minhas amídalas inflamadas da fumaça dos escapamentos
minhas amídalas inflamadas de tanto gritar sem ser ouvido
vejo tantos olhos tristes andando pesarosos
tanta gente perdida com medo de ser si mesmas
sorrisos amarelos em conversas vazias no bar da mais movimentada esquina
apesar de tantos malabaristas e de toda a alegria não parecemos muito felizes
o futuro já é presente e suas promessas não foram cumpridas
até a poesia, nossa bela poesia! não encanta mais os apaixonados
e o amor agora é marca de xampu e embala balas cor de rosa





tenho as amídalas inflamadas por cantar baixinho quando a chuva vem

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

canto de passarinho


o vento já não venta na via
A via já não vê obstáculo
A via tomou o espaço
Tem gente que via além da via
Tem via que é expressa
Tem via que é L e via que é W
Nunca vi via que expresa
Mas já vi via que que espreme
Tem vida que acaba na via
Tem vida que desafia a via
Mas a via, veloz e viril
Tira vida por onde ela passa
A vida só respira fumaça poluída da via
E a via vira mania
É ordem, é progresso(?)